O EFEITO DA HIPNOTERAPIA NA APRENDIZAGEM

 

A neurociência recentemente tirou a hipnoterapia do “limbo”, e vem descobrindo que ela exerce um efeito bem específico nos indivíduos, e que alguns desses efeitos podem ser bastante positivos, e úteis, em vários contextos. Por exemplo, que o relaxamento hipnoidal é capaz de, temporariamente, enfraquecer a conexão existente entre algumas áreas do córtex frontal e o giro cingulado anterior, modificando o controle atencional e outras funções executivas.Já foi demonstrado previamente que o aprendizado e a memória dependem de muitos sistemas cognitivos (coordenados por diferentes estruturas cerebrais) que ora interagem de forma cooperativa, ora competitiva. Um exemplo de interação competitiva é entre a aprendizagem via memória procedural e a explícita. A primeira depende mais do estriado e está envolvida com processos não conscientes e automáticos, enquanto que a segunda é principalmente controlada pelas regiões frontal e temporal medial e necessita de uma maior atenção e raciocínio.Investigações anteriores demonstraram que bloquear um desses sistemas (por exemplo, o temporal medial) com alguma droga melhora o desempenho em tarefas que envolvem o aprendizado dependente do estriado. Neste estudo – publicado recentemente na prestigiada Cerebral Cortex – os pesquisadores utilizaram a hipnoterapia  para reduzir a atividade das regiões frontais, reduzindo assim a competição com o estriado, com o objetivo de verificar o impacto disso para um aprendizado dependente de memória procedural. Concluíram que aqueles indivíduos sob efeito hipnoidal conseguiram aprender melhor uma sequência de procedimentos (aprendizagem procedural), justamente devido ao enfraquecimento do controle executivo das regiões frontais (provocado pelo estado hipnoidal), o que permitiu uma maior atividade do estriado e, consequentemente, facilitou o aprendizado procedural. Os autores consideram que tais efeitos positivos da hipnotrapia para a memória procedural podem ser aplicados em programas de reabilitação neuropsicológica, com a finalidade de incrementar o aprendizado dos pacientes.

 

Referência: NEMETH, D. JANACSEK, K. POLNER, B. KOVACS, Z. Boosting human learning by hypnosis. Cerebral Cortex, vol. 23, n° 4, 2013. Thales Vianna Coutinho Psicólogo (CRP12/10175).

SOBRE MEMÓRIA E HIPNOSE

 

Tenha Sempre em Mente Aberto durante 24 horas, sem um único dia de férias no ano, o cérebro processa, armazena e redistribui com competência todas as informações absorvidas pelo homem.

Texto: Margarete Azevedo

O que faz a diferença entre os humanos e os demais seres vivos é uma “caixinha” maravilhosa, que pesam média um quilo e meio, cerca de 100 bolhões de neurônios ativos; acinzentadas células nervosas, cada uma com até 20 mil conexões (dendritos) – opostos a eles, há uma infinidade de axônios, responsáveis pela condução do impulso nervoso -, também conhecida como cérebro. Funciona 24 horas por dia, seja no comando do transporte de milhões de mensagens entre os seus lados direito e esquerdo; seja no processo de informação ou no controle de um sistema de transmissão que emite instantaneamente mensagens eletroquímicas para cada parte do corpo. O cérebro é tripartite. A primeira, na base, também chamada de cérebro “reptílico”, semelhante aos répteis de sangue frio, controla as funções instintivas do corpo, como a respiração. No centro, está o cérebro “mamífero primitivo”, semelhante aos de outros mamíferos de sangue quente, que controla as emoções, a sensualidade, e desempenha papel-chave em sua memória. E, no alto, o córtex, ou como alguns definem, a massa cinzenta. Nele estão localizadas em cada sentido (visão, audição, tato, olfato e paladar). A informação, por meio de imagem, som, toque, cheiro, chega a essas regiões enviadas para o hipocampo e amígdalas, e logo para todo o córtex. Fica ali armazenada até que vem à tona do consciente, quando é preciso recorda-la. Nesse momento o córtex, hipocampo e amígdala são acionados, Segundo o neurologista Paulo Henrique Bertolucci, chefe do setor de neurologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), quando a pessoa tem dificuldade de fixar novas informações, ele começa a perder a capacidade de aprendizado. Desde o século 17, com os empiristas ingleses, questiona-se a aquisição de conhecimento por meio dos sentidos – tato, paladar, olfato, audição e visão -, pois eles são instrumentos de memória. Alguns cientistas defendem que todas as espécies herdam geneticamente memória biológica, algo que tem a ver com instinto de sobrevivência. Essa idéia, de certa maneira, justifica o fato de não ser necessário ensinar o bebê a mamar, ou seja, ele já nasce sabendo! Estímulos CorretosDe acordo com o Practitioner em Programação Neurolingüística (PNL) e Hipnoterapeuta, Odair José Comin, autor do livro, Aprendendo na velocidade do pensamento, alguns indivíduos têm habilidades aparentemente naturais de aprender com facilidade. “A maneira como eles aprendem é que determina isso. Entra a questão de aprender pela dor, que remete ao medo e, por prazer, que faz de qualquer aprendizado 'uma festa'”, comenta. Muitas vezes, a dificuldade de aprender está relacionada ao fato de a pessoa não ter estímulos corretos. “Por exemplo, um professor transmite uma informação de forma genérica para um grupo de crianças ou adolescentes que tem realidades de aprendizado diferenciadas. Nesse contexto, algumas assimilam com mais facilidade, enquanto outras não. O professor não está preparado nem para lidar com o grupo, quanto mais com a individualidade de cada um”, emenda Comin. No aprendizado o mais importante não é o quase vai aprender, mas a maneira como se aprende. “Quando se fala em aprendizagem acelerada é por que há uma necessidade de ela acontecer nessa velocidade. O indivíduo pode não estar utilizando o seu potencial ou aprendendo de maneira mais lenta que o normal”, observa o especialista. Frente a essa realidade, cada um precisa reconhecer os seus limites, tendo em vista a idéia de unicidade, pois mesmo que a realidades de muitos seja igual, os estímulos de aprendizado foram diferentes. O primeiro passo a ser dado com pessoas que se queixam da dificuldade de aprendizado é mapear a sua história de vida. “Desde como foi realizada a sua aprendizagem até os atuais assuntos de maior interesse; a partir daí é possível desenvolver novas estratégias. Por exemplo, se a dificuldade é aprender um idioma como o inglês, e ele gosta de cinema, porque não faze-lo através de filmes?”, diz Comin. Apesar da idéia de que a aprendizagem é mais rápida nos primeiros anos de vida do ser humano, pelo fato do cérebro estar potencialmente aberto para receber quaisquer informação, Comin afirma que é possível aprender durante toda a vida. “Quanto mais adulto, maior a capacidade de absorção de informações, conexões, articulações de raciocínios”, acentua. Segundo ele, uma aprendizagem prazerosa na infância não é o determinante de sucesso na vida adulta. “Quem apresenta bloqueio em função de aprendizagem indesejável pode reverter o processo. Caso contrário, a Psicologia e a Filosofia perderiam todo sentido”, observa o neurolinguísta. A aprendizagem indesejável é destacada como um fator importante, pois desempenha um papel considerável. “caso o indivíduo, na infância, tenha sido exposto a uma situação vexatória frente aos colegas de classe, com certeza essa lembrança tende a originar um bloqueio, ou seja, essa emoção ficará atrelada a aprendizagem. Isso não significa que ela possa ser facilmente acessada. É bastante comum permanecer bloqueada; daí a necessidade de mapear a vida do indivíduo”, adiciona Comin. Leitura Dinâmica A pergunta que se faz é: se existe uma aprendizagem acelerada, e uma forma mais lenta de aprender? Isso é subjetivo se forem consideradas as potencialidades e ritmos. “A questão mais importante não é o acelerado, mas a forma como vai ser conduzido o aprendizado. A pessoa precisa saber o proquê de aprender um monte de coisas e a finalidade dessa ação”, explica Comin. A leitura dinâmica – método aperfeiçoado nos anos 60 pela professora primária norte-americana Evelyn Wood (1927-1979) -, conforme o neurolinguista, é uma das ferramentas da aprendizagem acelerada, mas se a intenção for se aprofundar no assunto ela perde a utilidade. “Caso seja uma palestra, em que a pessoa domine o assunto e precisa concluir algumas idéias, a leitura dinâmica ajuda a “amarrar” os conceitos. Na realidade, isso nada mais é do que pegar idéias superficiais para finalidades específicas”, observa Comin. “Muitas vezes, a pessoa está realizando uma leitura dinâmica, mas está odiando o tema. Como ler muito não significa que se articula idéias, essa leitura precisa ter profundidade. Existem milhões de informações, e o importante é ensinar as pessoas a seleciona-las”, aconselha. O mapa mental, desenvolvido pelo pesquisador Tony Buzan, é outra técnica considerada importante ferramenta da aprendizagem acelerada. “O objetivo da técnica é resumir as informações e organiza-las da mesma forma que o cérebro as codifica”, escreve ele. Para montar um mapa mental, é preciso lápis,canetas coloridas, papéis e, o tema. Para cada subtema devem ser traçadas outras ramificações, cuja finalidade é alicerçar o assunto central. Nesse método, as idéias devem ser organizadas de forma não-linear, a exemplo do que ocorre em nosso arquivo de memória. Desenhos e muitas cores diferentes podem ajudar o cérebro a reter os conteúdos. Barulho, fadiga, estresse e excessos em geral enfraquecem o cérebro. Portanto, música para relaxar e manter a mente aberta e alerta para memorizar novas informações. “A música pode ser usada sempre que o indivíduo precisa de uma concentração maior, seja para estudar uma tese, memorizar textos, estudar línguas estrangeiras e outras atividades relacionadas a aprendizagem”, conclui Comin. Fonte: Revista Kalunga, Agosto de 2002, Margarete Azevedo.

 

Aprendizagens dependentes de estado

 

Na hipnoterapia ericksoniana, o processo de terapia é visto como aprendizagens, o paciente deve ser fruto e agente de suas mudanças. Se algo aprendido no passado do paciente lhe causou um trauma, no presente isso é visto como uma impossibilidade, como no caso de uma fobia ou medo paralizante. O objetivo do terapeuta é provocar novas aprendizagens, para que as antigas sejam suplantadas. Se algo no passado é aprendido de determinada forma, é possível aprender de uma outra forma no presente e espera-se que este processo leve o paciente à mudança e a solução de seu problema. Temos diferentes formas de acessar o passado, e normalmente as memórias do passado tem relação com a forma como nos sentimos e pensamos no presente. Por exemplo, numa hipermnésia. O paciente/indivíduo pode ouvir uma música de que gosta muito, a música o levará para uma época do passado em que a ouvia esta e se sentia muito bem, levando-o a sentir-se bem no presente como sentiu-se no passado. O contrario também é verdadeiro, talvez quando ouvia essa música sentia-se mal, desta forma novamente eliciará pensamentos e/ou sentimentos que lhe deixarão mal. No processo terapêutico isso é bastante importante, principalmente enquanto intervenção, pois pode-se eliciar uma lembrança de sucesso do passado e com essa lembrança na consciência provocar novas aprendizagens no presente, o que estará colaborando para o processo de mudança. Pesquisas foram realizadas que comprovam esse processo chamado de memória, comportamento e aprendizado dependentes-de-estado. "Alguns pesquisadores fizeram com que 48 sujeitos memorizassem silabas sem sentido, enquanto estavam bêbados. Quando sóbrios, esses voluntários tiveram dificuldade em recordar o que haviam aprendido, mas eles puderam recordar significativamente melhor quando eles se encontravam bêbados outra vez." (Rossi, 1997).

Isso mostra que quando os indivíduos voltaram ao mesmo estado de embriagues, também voltam ao mesmo comportamento e acessam com maior facilidade a memória e o aprendizado adquirido. Quanto maior for a vivência por parte do paciente em determinado estado, mais fortes tornam-se as aprendizagens dependentes deste estado. Esta intensificação pode ser conseguida através da regressão de idade ou mesmo na hipermnésia num grau qualitativo diferente. Por exemplo: se uma pessoa vai prestar vestibular (estímulo), um pensamento é desencadeado, com isso pode ficar muito ansiosa (estado). Na medida em que o momento se aproxima, sua ansiedade aumenta ainda mais (intensificação do estado). Com isso ela poderá estar lembrando-se de outros momentos em que teve que fazer provas (memória) e que também ficou muito ansiosa. Talvez ela pense em alguns resultados que não lhe foram satisfatórios (aprendizagens). Sua ansiedade aumenta, e junta-se à insegurança, ao medo, etc. Ela poderá desistir de fazer a prova, ou fazer e "travar", não conseguindo responder às questões(comportamento). Num outro caso, se tivermos uma pessoa que está passando pela mesma situação, e por si só, ou por meio de uma intervenção terapêutica, o processo se desencadearia de uma outra forma: mediante à prova (estímulo), teria pensamentos que lhe trazem tranqüilidade e segurança (estado). Este estado é criado e eliciará novos pensamentos e memórias de momentos na vida em que teve sucesso, tranqüilidade, confiança e segurança, todos estes sentimentos começam a ser trazidos à tona(memórias). O estado agradável se intensificará, quão mais intenso forem as memórias em que este mesmo estado fez-se presente em momentos anteriores. Terá então, novas aprendizagens dependentes deste estado (aprendizagem), que lhe propiciarão segurança e confiança para realizar a prova (comportamento), extraindo o máximo possível de seus conhecimentos para responder as questões previstas.

 

Odair J. Comin - piscólogo

http://www.hipnosebrasil.com.br/Artigos/as-faces-da-hipnose.html

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